No último post deste blog, eu contei que havia sido selecionado para uma oportunidade profissional diretamente ligada à trajetória que venho construindo no turismo, mas que ainda precisava respeitar o momento da divulgação oficial. Escrevi também que, quando pudesse compartilhar todos os detalhes, aquele texto provavelmente faria mais sentido.
A divulgação aconteceu alguns dias atrás e, portanto, agora posso contar: fui selecionado como um dos 25 profissionais brasileiros que integram, em 2026, o programa de Embaixadores Globais do Trade Turístico da Brand USA. Passei, oficialmente, a atuar como Global Ambassador do Brand USA.
O que eu ainda não podia contar
A Brand USA é a organização de marketing de destinos dos Estados Unidos e o programa reúne profissionais do turismo de diversos mercados internacionais. Entre seus objetivos estão ampliar o conhecimento sobre os produtos turísticos americanos, fortalecer a colaboração entre os profissionais do setor e aproximar o trade dos destinos de lá.
É claro que ser escolhido para fazer parte desse grupo tem um significado pessoal importante para mim. Mas, passado o anúncio, o que mais me interessa agora são as consequências práticas dessa nova função. Uma delas é estudar ainda mais.
Eu já havia antecipado que os Estados Unidos teriam uma presença especialmente importante nesta nova fase do blog. Naquele momento, escrevi que existia um país enorme para conhecer além dos destinos que normalmente aparecem primeiro nos roteiros e que eu queria estudar, descobrir e compartilhar muito mais sobre ele. A seleção para o programa era um dos motivos pelos quais eu fiz aquela afirmação, embora ainda não pudesse explicá-lo.
Isso não muda o que escrevi naquele texto sobre Orlando, nem transforma este espaço em um blog exclusivamente sobre os Estados Unidos. Mas certamente cria um incentivo adicional para ampliar meu próprio repertório sobre o país e, conforme eu avançar nesse processo, dividir parte desse conhecimento por aqui.

Quero falar sobre destinos que já conheço muito bem, mas também sobre lugares que ainda estou começando a estudar. Quero entender melhor por que determinadas regiões fazem sentido para certos perfis de viajante, quais combinações podem produzir roteiros interessantes e, principalmente, ajudar a colocar no radar do brasileiro alternativas que talvez não aparecessem espontaneamente no primeiro planejamento de uma viagem. Só que, antes de começar a falar sobre onde ir, me parece fazer sentido voltar uma etapa.
Antes dos destinos
Uma viagem para os Estados Unidos não começa pela escolha entre Nova York, Orlando, Califórnia ou qualquer outro destino. Existe uma camada anterior, muito menos interessante em uma fotografia, mas que pode afetar todo o resto do planejamento: documentação, visto, regras de entrada, procedimentos de imigração, taxas e outras exigências que mudam ao longo do tempo.
E talvez o maior problema desse tipo de informação não seja a dificuldade de encontrá-la. Em muitos casos, é justamente o contrário. Existe informação demais.
Uma mudança é anunciada, vira manchete, circula nas redes sociais, recebe interpretações diferentes e continua reaparecendo meses depois, mesmo quando sua implementação foi adiada, alterada ou simplesmente ainda não aconteceu. Para quem está planejando uma viagem, distinguir o que foi cogitado daquilo que foi efetivamente criado e, principalmente, do que está sendo aplicado naquele momento pode ser bem mais difícil do que encontrar alguma resposta no Google.
Foi por isso que gostei bastante de uma iniciativa do Brand USA chamada Get Facts. Get Going., uma página que reúne algumas das dúvidas e percepções que hoje cercam uma viagem aos Estados Unidos, apresenta uma resposta direta para cada uma delas e, o que considero especialmente importante, encaminha o leitor para as fontes oficiais correspondentes.
Ela não elimina a necessidade de conferir uma informação quando o assunto pode mudar. Na verdade, sua utilidade está justamente em mostrar onde essa conferência pode ser feita. Alguns exemplos ajudam a entender por quê.
Algumas dúvidas que mudam rápido
A Visa Integrity Fee talvez seja o melhor deles. Desde 2025 circula a informação de que viajantes que precisam de um visto americano teriam uma nova cobrança de US$ 250. Quem ficou apenas com essa informação poderia perfeitamente imaginar que, hoje, esse valor já precisa ser pago por um brasileiro que obtém um novo visto de turismo. Não é o que as fontes oficiais consultadas indicam neste momento.
A taxa foi efetivamente criada por uma lei sancionada em 4 de julho de 2025 e hoje consta da legislação americana. O que não aconteceu, até a minha consulta, foi a implementação da cobrança. Em publicação oficial de julho de 2025, o Departamento de Segurança Interna registrou que a Visa Integrity Fee exigiria coordenação entre diferentes agências e seria implementada posteriormente. A tabela atual de taxas do Departamento de Estado continua indicando US$ 185 como taxa de solicitação dos vistos de visitante B1/B2 e não apresenta a Visa Integrity Fee entre as cobranças listadas.
Portanto, a distinção importa: a taxa foi criada em lei, mas sua cobrança não está implementada nas fontes oficiais que consultei em 25 de agosto de 2026. Se isso mudar, muda também a resposta que interessa ao viajante.
Os tempos de espera para entrevista de visto são outro bom exemplo. Não existe um número fixo que possa ser repetido indefinidamente. O próprio Departamento de Estado explica que a disponibilidade depende da carga de trabalho e da capacidade de cada posto consular, que novos horários são adicionados regularmente e que a estimativa pode mudar de uma semana para outra.
No dia em que escrevo este texto, a tabela oficial indica como próxima disponibilidade para entrevistas B1/B2 aproximadamente um mês em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, um mês e meio em Brasília e menos de meio mês em Recife. Esses números não são uma promessa de prazo e provavelmente serão diferentes se você consultar a mesma página algum tempo depois. Justamente por isso, a informação útil não é decorar que “o visto está demorando X”. É saber onde verificar qual é a situação quando ela realmente importa para o seu planejamento.
O mesmo raciocínio vale para a entrada nos Estados Unidos. O Get Facts. Get Going. explica que o viajante internacional passa pelos procedimentos normais de chegada, com verificação do passaporte, perguntas relacionadas à viagem e processamento alfandegário. O próprio CBP, órgão responsável pelo controle de fronteiras, deixa claro que todos os viajantes estão sujeitos à inspeção e que, quando necessário, uma pessoa pode ser encaminhada da inspeção primária para uma análise adicional por diferentes motivos, inclusive seleção aleatória. Isso não é motivo para transformar uma viagem em uma fonte de ansiedade, mas também não vejo vantagem em tratar imigração como um ritual misterioso sobre o qual é melhor não saber nada. Entender o procedimento, viajar com a documentação adequada e ter facilmente disponíveis as informações da viagem e da hospedagem torna tudo mais simples e, principalmente, reduz o espaço ocupado por histórias isoladas apresentadas como se fossem uma regra geral.
Por fim, uma mudança que já está efetivamente valendo mostra como essas informações podem interferir até na escolha de um roteiro. Desde 2026, não residentes nos Estados Unidos com 16 anos ou mais estão sujeitos a uma cobrança adicional de US$ 100 em 11 parques nacionais específicos, além da tarifa normal de entrada. A regra alcança parques como Grand Canyon, Yellowstone, Yosemite e Zion, entre outros. Para quem pretende visitar vários parques ou outras áreas públicas federais, existe ainda um passe anual específico para não residentes, atualmente vendido por US$ 250 e que também cobre essas cobranças adicionais dentro das condições do passe. Aqui a informação deixa de ser apenas uma curiosidade sobre uma nova taxa. Dependendo da quantidade de viajantes com 16 anos ou mais, dos parques incluídos no roteiro e de quantas áreas serão visitadas, a escolha entre ingressos individuais e um passe anual pode produzir resultados completamente diferentes. É uma regra de entrada que acaba se tornando uma decisão de planejamento.

A Simples Travel e a informação
Acompanhar mudanças como essas, verificar o que realmente está valendo e orientar nossos clientes quando alguma delas afeta uma viagem faz parte do trabalho da Simples Travel. Quem viaja conosco não precisa descobrir sozinho se surgiu uma nova exigência, se uma regra mudou ou se aquela manchete que começou a aparecer nas redes sociais realmente altera alguma coisa no roteiro. É justamente para isso que existe uma curadoria profissional. Mas eu não gostaria que essa tranquilidade fosse confundida com desinteresse.
Gosto quando um viajante quer entender melhor o próprio planejamento, quando pergunta por que determinada orientação foi dada e quando procura conhecer as fontes. Um cliente bem informado não atrapalha o trabalho de uma agência. Pelo menos na forma como eu entendo esse trabalho, acontece exatamente o contrário: a conversa melhora, as decisões ficam mais conscientes e conseguimos discutir escolhas com muito mais profundidade.
Também não acho que o valor de um profissional de turismo deva depender de manter a informação distante do viajante. Informação está disponível. O que fazemos com ela, como distinguimos uma fonte confiável de um ruído qualquer, em que momento uma mudança realmente se aplica e qual consequência ela produz para uma viagem específica são questões bem mais interessantes.
É por isso que o Get Facts. Get Going. vai permanecer entre as fontes que eu consulto e também entre aquelas que pretendo indicar por aqui. Não porque ele tenha todas as respostas definitivas, o que seria impossível em assuntos que continuam mudando, mas porque oferece um bom ponto de partida e conduz o viajante às fontes que precisam ser verificadas. Para quem pretende viajar aos Estados Unidos, é uma página que vale conhecer e manter por perto.